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Para quem se recorre quando negam

A Lei de Acesso à Informação é nacional, mas a escada de recursos é local: cada estado e cada município define, por decreto próprio, quem julga o recurso quando um pedido é negado. Errar a instância custa semanas. Este é o mapa — 27 entes, o governo federal e 27 capitais, conferidos um a um na fonte oficial.

Antes de recorrer, três coisas

As três armadilhas deste mapa

São os erros que o levantamento encontrou repetidos em fontes secundárias — e que fazem um recurso ir parar no lugar errado:

Governo federal

Escada: autoridade superior (1ª) → autoridade máxima (2ª) → CGU (3ª) → CMRI (4ª e última); Dec. 7.724/2012, arts. 21, 23 e 24.
Instância final: CMRI — Comissão Mista de Reavaliação de Informações.
Canal: Informa.BR (informabr.cgu.gov.br), desde julho de 2026; o Fala.BR segue só para ouvidoria.

Estados e Distrito Federal

22 dos 27 entes com estrutura confirmada na fonte; os demais aparecem como parcial (parte confirmada, parte não) ou provável, com a nota do que faltou — o levantamento não afirma o que não conferiu.

UFInstância finalDegrausBase legalCanalConfiança
SP autoridade superior → CGE → CEAI (Comissão Estadual de Acesso à Informação) 3 Dec. 68.155/2023 (arts. 19–21 e 49) Fala.SP verificado
SC autoridade máxima → titular da Casa Civil → CMAI (Comissão Mista de Acesso à Informação) 3 Dec. 1.048/2012, arts. 22 e 22-A (red. Dec. 1.524/2021 e Dec. 1.622/2026) Sistema de Ouvidoria (Ouvidoria-Geral, na Casa Civil) parcial — 2ª e 3ª instâncias lidas no Dec. 1.622/2026, de 23/07/2026, que tirou a Controladoria da escada; a 1ª instância (autoridade máxima) foi conferida em cartilha oficial do Executivo, não no texto do decreto
RJ CGE-RJ, por meio da Ouvidoria e Transparência Geral do Estado 3 Dec. 46.475/2018 OuvERJ (rj.gov.br/ouverj) parcial — escada e canal conferidos na Carta de Serviços da CGE-RJ (novembro de 2025); o texto do Dec. 46.475/2018 não pôde ser lido em fonte oficial nesta conferência, e o papel decisório do Governador, que o levantamento de julho registrava, não foi confirmado
MG Controlador-Geral do Estado (CGE-MG) decide sozinho (art. 25) 3 Dec. 45.969/2012 (red. Dec. 48.895/2024, que revogou o recurso à CMRI) e-SIC (acessoainformacao.mg.gov.br) verificado
RS CMRI/RS (Comissão Mista de Reavaliação de Informações) 2 Dec. 49.111/2012 (regimento 51.111/2014) e-SIC (Ouvidoria-Geral) verificado
PR Comissão Mista de Reavaliação de Informações 2 Dec. 10.285/2014 (Lei 16.595/2010) SIC (Portal Transparência PR) verificado
BA CGAI (Comitê Gestor de Acesso à Informação), em última instância 2 Lei 12.618/2012; Dec. 24.375/2026 (arts. 27–29); CGAI regido pelo Dec. 17.611/2017, revogado em parte TAG (Sistema de Ouvidoria e Gestão Pública) verificado
CE Conselho Estadual de Acesso à Informação 2 Lei 15.175/2012; Dec. 36.552/2025 Ceará Transparente verificado
PE CAI (Comitê de Acesso à Informação, coord. SCGE) 2 Lei 14.804/2012; Dec. 38.787/2012 (até 42.055/2015) e-SIC (Ouve.PE) verificado
GO topo bifurcado: CMRI (mérito/sigilo) ou CGE (aspectos formais) 3 Lei 18.025/2013 (alt. 22.060/2023); Dec. 10.306/2023 e-SIC (ouvidoria CGE) verificado
PA CRDI (Comissão de Reavaliação de Documentos e Informações), coordenada pela Casa Civil 4 Dec. 1.359/2015 (arts. 20–24 e 49); Lei 10.021/2023 e-SIC (sistemas.pa.gov.br/esic) parcial — o decreto chama a 3ª instância de Auditoria-Geral do Estado; a Lei 10.021/2023 transformou a AGE em Controladoria-Geral, mas não há texto compilado do decreto que a renomeie
DF CGDF (Controladoria-Geral do DF) 3 Lei 4.990/2012; Dec. 34.276/2013 (o órgão do art. 24 foi renomeado CGDF pelo Dec. 36.236/2015) Participa DF verificado
ES CMRI-ES (Comissão Mista de Reavaliação de Informações) 3 Dec. 3.152-R/2012 (Lei 9.871/2012) e-SIC próprio verificado
MT CMRI-MT, depois do recurso ao Secretário-Controlador Geral do Estado 2 Dec. 806/2021 (arts. 25–26) Fale Cidadão (CGE-MT) verificado
MS Ouvidor-Geral do Estado (OGE, na CGE-MS) 2 Dec. 16.352/2023 (Lei 4.416/2013) Fala.BR verificado
MA CMRI-MA 3 Lei 10.217/2015 (art. 27 cria a CMRI) e-SIC (e-sic.ma.gov.br) parcial — escada (dirigente máximo → STC → CMRI) conferida nas cartas de serviço oficiais da STC em 29/10/2026; o texto da Lei 10.217/2015 não foi lido — o endereço oficial da legislação não resolve
PB Comissão Mista Estadual de Reavaliação de Informações 4 Dec. 33.050/2012 e-SIC (sic.pb.gov.br) verificado
RN CMRI/RN 4 Lei 9.963/2015 + Dec. 25.399/2015 e-SIC (sic.rn.gov.br) verificado
PI CMRI/PI 4 Dec. 15.188/2013 Fala.BR verificado
AL Comissão Mista de Acesso às Informações (nome atípico) 3 Lei 8.087/2019 + Dec. 91.823/2023 e-SIC (e-sic.al.gov.br) verificado
SE Comissão Mista de Reavaliação e Recurso 3 Dec. 30.947/2017 e-SIC próprio verificado
TO CMRI 3 Dec. 4.839/2013 Fala.BR verificado
AC CCDI (Comissão de Classificação de Documentos, Dados e Informações, que julga também o recurso comum — atípico) 3 Dec. 7.977/2014 (alt. Dec. 9.124/2018 e Dec. 11.845/2026) Fala.BR verificado
RO CMRI 4 Lei 3.166/2013 + Dec. 17.145/2012 (alt. Dec. 28.891/2024) e-SIC (esic.cge.ro.gov.br) verificado
RR CPGAI (Comissão Permanente de Gestão do Acesso à Informação) 1 a 2 (ver nota) Dec. 20.477-E/2016 (alt. Dec. 35.580-E/2024) Fala.BR parcial — o art. 26 manda o recurso contra a negativa direto à CPGAI, e o art. 7º, V diz que ela decide recurso contra decisão de Secretário de Estado; se há recurso prévio ao gestor na prática não foi confirmado; texto lido em cópia oficial, não no diário
AM CMRI 3 Dec. 48.999/2024 Fala.BR verificado
AP CGE-AP (Controladoria-Geral do Estado) 3 Dec. 1.956/2019 (Lei 2.149/2017) OUV Amapá (e-SIC integrado) verificado

27 capitais

As 27 capitais, cada uma com a confiança que a fonte permitiu. O município regula a LAI por decreto próprio, e a estrutura pode divergir da do estado. A escada vai de 1 degrau a 4 — com quatro, como a federal: Porto Velho, João Pessoa, Palmas.

CapitalInstância finalDegrausBasePlataformaConfiança
São Paulo SP CMAI (Comissão Municipal de Acesso à Informação, colegiada, ligada à CGM) 3 Dec. 53.623/2012 (alt. Dec. 54.779/2014) e-SIC próprio verificado
Rio de Janeiro RJ CORE-Rio (Comissão de Reavaliação de Informações) 2 Dec. Rio 44.745/2018 (alt. Dec. Rio 54.226/2024) Central 1746 (telefone, site e aplicativo) verificado
Brasília/DF DF CGDF (Controladoria-Geral do DF, monocrática) 3 Lei 4.990/2012 + Dec. 34.276/2013 (órgão renomeado CGDF pelo Dec. 36.236/2015) Participa DF verificado
Belo Horizonte MG Comissão Mista de Reavaliação (colegiada; CGM é o 2º degrau) 3 Dec. 14.906/2012 (alt. Dec. 17.049/2019) e-SIC próprio verificado
Salvador BA autoridade superior (unipessoal; sem colegiado — veto ao art. 16) 1 Lei 8.460/2013 + Dec. 24.806/2014 Fala Salvador verificado
Fortaleza CE CMAI (Comissão Municipal de Acesso à Informação, colegiada) 3 Dec. 13.305/2014 (arts. 19–22) e-SIC próprio verificado
Curitiba PR PGM (Procuradoria-Geral do Município — atípico) 2 Dec. 2.101/2025 (rev. 1.370/2023) e-SIC próprio verificado
Recife PE CGAI (Comitê Gestor de Acesso à Informação, colegiado) 2 Lei 17.866/2013 + Dec. 28.527/2015 e-SIC próprio parcial — verificado no levantamento de 18/07/2026; na reverificação de 29/10/2026 os sites oficiais da prefeitura não responderam, e a linha não pôde ser relida
Porto Alegre RS CMRI municipal (colegiada) 2 Dec. 19.990/2018 (+ 20.129/2018) e-SIC (Procempa) verificado
Goiânia GO Prefeito (Chefe do Executivo — inverte a lógica: a Comissão Mista é o 1º degrau) 2 Lei 9.262/2013 (art. 21) e-SIC próprio (www.goiania.go.gov.br/ouvidoria-e-sic/servico-informacao-cidadao) verificado
Rio Branco AC Chefe do Poder Executivo (2ª instância); 1ª: Conselho Municipal de Transparência e Controle Social 2 Dec. 3.556/2012 (alt. Dec. 1.455/2013) SIC da CGM (portalcgm.riobranco.ac.gov.br/lai) parcial — instâncias e decreto lidos na página oficial da Controladoria-Geral do Município em 04/09/2026; em 29/10/2026 o portal da CGM deixou de resolver e os arquivos da legislação recusaram acesso, e a linha não pôde ser relida; em 30/10/2026 o domínio seguia sem endereço no DNS público, embora o site da prefeitura ainda aponte para ele, e o portal da transparência do município levava as manifestações ao Fala.BR (sistema.ouvidorias.gov.br/publico/AC/RioBranco), sem dizer se o pedido de acesso também vai por ali
Porto Velho RO Comissão Mista de Reavaliação de Informações municipal (4ª e última), depois do Prefeito (2ª) e da CGM (3ª) 4 Dec. 14.565/2017 (arts. 21–24) e-SIC (portovelho.ro.gov.br/e-sic) verificado
São Luís MA Comissão Municipal de Acesso à Informação (colegiada; CGM é o 2º degrau) 3 Dec. 47.272/2015 (arts. 24–26 e 53) e-SIC próprio (esic.saoluis.ma.gov.br) verificado
Maceió AL PGM (Procuradoria-Geral do Município), instância única contra negativa de acesso; o Conselho Gestor julga só desclassificação e reavaliação de sigilo 1 Dec. 8.052/2015 (arts. 36–39 e 43) Informa Maceió (e-SIC) verificado
Aracaju SE Procurador-Geral do Município 1 Dec. 5.360/2016 (arts. 20–23; alt. Dec. 6.604/2021) e-SIC (aracaju.1doc.com.br, pelo portal da transparência) ou SIC na Ouvidoria-Geral verificado
Belém PA CMRI (Comissão Mista de Reavaliação de Informações), depois do Ouvidor-Geral do Município 2 Dec. 83.857/2015 (arts. 24, 26, 27 e 86) Sistema da Ouvidoria Geral do Município (ouvidoria.belem.pa.gov.br) verificado
Boa Vista RR CMRI (Comissão Mista de Reavaliação de Informações) 3 Dec. 204/E/2013 (arts. 17–18) e-SIC do Portal da Transparência, operado pela Controladoria-Geral do Município parcial — texto lido no diário oficial do município, mas o 2º degrau é ambíguo: o art. 18 manda recorrer à autoridade máxima do órgão e os parágrafos atribuem a decisão à Controladoria-Geral; e o §3º remete a um artigo que não é o da CMRI. Alteração depois de 2023 não pôde ser descartada
Campo Grande MS CMRI (Comissão Mista de Reavaliação de Informações) 2 Dec. 15.177/2022 (arts. 17–20) e-SIC próprio da CGM (sic.campogrande.ms.gov.br) verificado
Cuiabá MT Comissão Mista de Reavaliação de Informações, depois da Controladoria 3 Lei 5.715/2013 (arts. 11–13) SIC da Ouvidoria Geral do Município (ouvidoria.cuiaba.mt.gov.br) parcial — escada lida no texto da lei; o órgão do 2º degrau aparece como 'Controladoria e Contabilidade do Município', e o nome atual não foi conferido; decreto posterior a 2023 não pôde ser descartado
Florianópolis SC Controlador-Geral do Município 2 Dec. 27.073/2024 (arts. 23–24) Fala.BR, pela Ouvidoria do município (pmf.sc.gov.br/ouvidoria) verificado
João Pessoa PB Comissão Mista de Reavaliação de Informações 4 Lei 12.645/2013 (arts. 15–19 e 40) Fala.BR, pelo Portal da Transparência do município parcial — escada lida no texto da lei; o 3º degrau é a Secretaria de Transparência Pública, que pode ter sido incorporada a outro órgão — a sucessão não foi lida em ato oficial
Macapá AP Comissão Mista de Reavaliação de Informações 2 Lei 2.265/2017-PMM (arts. 10–12) e-SIC da Ouvidoria Geral do Município (macapa.1doc.com.br) ou SIC presencial verificado
Manaus AM Comissão Municipal de Acesso à Informação (não confirmado) 3 (não confirmado) Dec. 4.157/2018 Fala.BR; SIC da Controladoria-Geral do Município provável — a página oficial da Controladoria confirma o decreto, o canal e o prazo de 10 dias para recorrer, mas o texto do decreto não pôde ser lido em fonte oficial; a escada vem de resumo de busca de documento oficial que não abriu
Natal RN Comissão Mista de Reavaliação de Informações 2 Dec. 10.087/2013 (arts. 10–12) e-SIC próprio (leideacesso.natal.rn.gov.br) parcial — texto lido na transcrição publicada no portal e-SIC da prefeitura, não no diário oficial; alteração posterior a 2023 não pôde ser descartada
Palmas TO Comissão Mista de Avaliação e Reavaliação de Informações 4 Dec. 462/2013 (arts. 16 e 29–32; alt. Dec. 2.887/2026, que não muda os recursos) e-SIC próprio (ouvidoria.palmas.to.gov.br/sic) parcial — escada lida no decreto; o 3º degrau é a Secretaria Municipal de Transparência e Controle Interno, e hoje o e-SIC é gerido pela Controladoria-Geral do Município — a sucessão não foi lida em ato oficial
Teresina PI Autoridade superior do órgão que negou (instância única) 1 Dec. 14.605/2014 (arts. 17–18) e-SIC próprio (esic.teresina.pi.gov.br) verificado
Vitória ES Conselho Recursal (Procuradoria, Controladoria e Comunicação) 1 Lei 8.286/2012 (art. 8º) e Dec. 15.520/2012 (arts. 18–19) e-SIC próprio (sistemas.vitoria.es.gov.br/sic/lai); recurso pelo Protocolo Geral verificado

As 27 capitais — o que foi levantado

27 capitais tiveram a escada recursal levantada — cada uma com a confiança que a fonte permitiu, e a nota do que faltou onde não está verificada. Nos demais municípios, que este mapa não cobre, o primeiro degrau continua valendo: recurso à autoridade superior à que negou, que é correto em qualquer ente.

CapitalUFEscada recursal
AracajuSE levantada — ver acima
BelémPA levantada — ver acima
Belo HorizonteMG levantada — ver acima
Boa VistaRR levantada — ver acima
BrasíliaDF levantada — ver acima
Campo GrandeMS levantada — ver acima
CuiabáMT levantada — ver acima
CuritibaPR levantada — ver acima
FlorianópolisSC levantada — ver acima
FortalezaCE levantada — ver acima
GoiâniaGO levantada — ver acima
João PessoaPB levantada — ver acima
MacapáAP levantada — ver acima
MaceióAL levantada — ver acima
ManausAM levantada — ver acima
NatalRN levantada — ver acima
PalmasTO levantada — ver acima
Porto AlegreRS levantada — ver acima
Porto VelhoRO levantada — ver acima
RecifePE levantada — ver acima
Rio BrancoAC levantada — ver acima
Rio de JaneiroRJ levantada — ver acima
SalvadorBA levantada — ver acima
São LuísMA levantada — ver acima
São PauloSP levantada — ver acima
TeresinaPI levantada — ver acima
VitóriaES levantada — ver acima

Quer ajudar a fechar essa lacuna? Se você souber o decreto de acesso à informação da sua capital e qual órgão julga a última instância, mande o link do texto oficial — publicamos com a devida verificação. É a contribuição mais útil que esta página pode receber.

Seu ente não está na tabela? Como descobrir

  1. Procure no portal de transparência do ente a seção "Acesso à Informação" ou "Recursos LAI" — ela costuma nomear a instância e o decreto que a criou.
  2. Leia o decreto ou lei local da LAI (busque por "decreto LAI" mais o nome do ente). É ele que define a instância final, não a lei federal.
  3. Se o ente usa o Fala.BR, use-o para protocolar — sem supor que a escada é a federal.
  4. Na dúvida, recorra à autoridade superior. É o primeiro degrau em qualquer ente.
  5. Esgotada a via administrativa: Ministério Público estadual e Tribunal de Contas do ente.

O que este mapa não é

Não é aconselhamento jurídico e não substitui a leitura do decreto do seu ente. Estrutura administrativa muda por reforma, e um decreto pode ter sido revogado depois desta consulta: o levantamento é de 29 de outubro de 2026, e essa data é parte do dado. Onde o levantamento não conseguiu confirmar, a tabela diz provável em vez de fingir certeza — lacuna declarada é informação, não licença para estimar. Encontrou uma linha desatualizada? Avise, com o link do decreto: correção é contribuição.

Os modelos prontos de pedido e de recurso — para copiar e preencher — estão no kit do cidadão. O calendário de prazos e do que dá para pedir em cada época está em quando fiscalizar.