Princípios
Estas regras valem para todas as ferramentas da iniciativa, presentes e futuras. Elas não são preferências: são o que separa fiscalização cívica de linchamento digital.
- Fonte primária obrigatória. Toda afirmação aponta a URL do dado oficial. Sem fonte, a informação não existe para a ferramenta.
- Fato separado de opinião. As ferramentas entregam o registro oficial e o contexto para lê-lo — nunca nota, ranking, score ou veredito. Avaliar é papel do cidadão; concluir sobre conduta é papel das instituições (Tribunais de Contas, Ministério Público, Justiça).
- Sinal não é acusação. Um registro que chama atenção é um ponto a verificar na fonte, jamais uma prova. Justapor fatos verdadeiros para insinuar um esquema também é acusar — e as ferramentas recusam essa forma.
- Nada eleitoral. Nenhuma ferramenta recomenda, ranqueia ou desaconselha voto ou candidatura, nem favorece ou desfavorece disputa eleitoral, direta ou indiretamente — a legislação eleitoral veda recomendação por sistemas de IA, e o desenho das ferramentas incorpora a vedação na origem.
- O escopo é o cargo, não a pessoa. Fiscaliza-se o ato de quem exerce mandato ou cargo público, enquanto o exerce. Vida privada, família, assessores e terceiros não são alvo — servidor que não é agente político é medido só como custo e estrutura do órgão, nunca perfilado.
- Lacunas declaradas. "Não obtido" é diferente de "zero", e cobertura parcial é dita como parcial. Um dado que falta é informação, não licença para estimar.
- Nenhum dado do visitante. Sem analytics de terceiros, sem formulários de coleta, sem cookies de rastreamento. Os dados públicos ficam nos servidores públicos; os seus ficam com você.
Por que ferramenta, e não opinião
Falta opinião sobre o poder público? Não. O que falta, quase sempre, é o caminho até o documento: onde o ato foi publicado, qual órgão responde, que prazo corre, que palavra usar no pedido. É por isso que esta iniciativa constrói mapa, prazo e instrumento em vez de publicar juízo — a aposta é que ferramenta e disciplina mudam mais prática pública do que avaliação publicada, e que uma pessoa com a fonte oficial na mão cobra melhor do que mil pessoas repetindo a conclusão de alguém.
Isso tem um custo assumido: as ferramentas nunca vão dizer a você quem é bom e quem é ruim, nem entregar a manchete pronta. Em compensação, elas continuam servindo depois que muda o governo, valem igual para qualquer ente e não dependem de você concordar com quem as escreveu. É uma forma lenta de melhorar o setor público — e é a que sobrevive à alternância.
Independência que você confere sozinho
Independência declarada não vale nada; independência conferível, sim. Por isso o método e os mapas são públicos e datados, cada mudança fica registrada em o que mudou, a versão anterior é preservada, e verificações automáticas reprovam a publicação quando uma dessas regras é violada — inclusive as que protegem esta iniciativa de quem a mantém. O vínculo entre este projeto e a atividade profissional de quem o mantém está declarado, com a marca comercial nomeada, em ética e conflito de interesses: nenhuma separação entre partes anônimas seria conferível por ninguém.
No extrato.digital, esses princípios estão detalhados em base legal, qualidade de dados e nos próprios playbooks — auditáveis por qualquer pessoa.