Dispersão: estes dois andam juntos?
Dois números por ente, um ponto cada. É o gráfico que mostra se duas medidas variam juntas — e é o mais perigoso desta coleção, porque uma nuvem inclinada convida a uma conclusão que o desenho não sustenta. Por isso ele vem cheio de guardas, e todas estão explicadas abaixo.
O que esta ferramenta não faz, de propósito
- Não desenha linha de tendência. Ela transforma uma nuvem de pontos numa afirmação sobre a causa e sobre o futuro, e nenhuma das duas está no dado.
- Não esconde a correlação. O número aparece — esconder não protege ninguém, porque quem quer o argumento o calcula em outro lugar. Aparece sempre com a ressalva ao lado, que é a chance de dizer o que ele não significa.
- Não ordena nem ranqueia. A pergunta aqui é sobre a relação entre duas medidas, não sobre quem é maior.
Os dados
As colunas e os eixos
O desenho
Os números do desenho
Antes de dizer que um explica o outro
- A terceira causa costuma ser banal. Duas medidas de ente público andam juntas quase sempre porque as duas acompanham o tamanho do ente, a inflação ou a população. Marque o tamanho como terceira medida e veja se a nuvem se explica sozinha.
- A ordem pode ser a inversa da suposta. Mais gasto com saúde pode seguir o aumento de doença, não preveni-lo. O gráfico não distingue as duas leituras.
- Poucos pontos, nenhuma conclusão. Com menos de quinze casos, um único ponto atípico muda a correlação inteira — e a ferramenta avisa.
- Correlação zero não é ausência de relação. O coeficiente mede relação linear. Uma relação em forma de U dá quase zero e existe.
- Se você tem uma hipótese, teste-a com documento. O gráfico aponta onde olhar; o que sustenta uma representação é o contrato, o empenho, o edital.